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A mostrar mensagens de agosto, 2022

Assobia para o lado...

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Nos últimos dias tenho tentado uma técnica... sempre que sinto que algo me está a começar a ferver os nervos ou a deixar ansiosa pergunto a mim mesma... "é comigo?". Se não é, fecho os olhos (quando possível) e digo várias vezes "não é comigo... não tenho nada com isso... não são contas do meu rosário... assobia para o lado..."! Se por um lado é mau pensar assim, por outro é o adequado quando se exponencia até a situação mais insignificante! E não é que tem resultado!? Consegui relativizar algumas situações que, noutros tempos, me teria levado a uma crise de ansiedade e uma ida ao fundo do poço! Claro que, quando o assunto é amigos, família ou amigos que se tornaram família, o caso muda de figura! Já consigo não perguntar, logo, se está tudo ok sempre que tenho a sensação de que algo não está bem... mas a preocupação não deixa de estar lá. E acreditem... isso só demonstra a importância que têm para mim! No dia que não me preocupar com vocês ou não insistir que estou...

Tu és apenas tu...

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Às vezes sinto vergonha de mim... sinto que sou um nojo, uma nulidade de pessoa... que não sei fazer nada, que tenho medos absurdos, que não consigo lutar pelo que quero ou até que nunca irei ser amada na mesma intensidade com que eu amo... aliás, nem na mesma nem em nenhuma! Chego a acreditar que o meu destino, nesta vida, é acabar sozinha e com os sonhos e as ambições desfeitas... Sinto que sou um estorvo e que só ando cá para quando as pessoas precisam de mim.  Não, não penso em morrer ou em fazer algo que me deixe a sofrer e muito... não estou assim tão desesperada, que acho que quem se suicida tem de estar num desespero tamanho que já só consegue ver o suicídio como solução.  Acredito que sou demasiado exigente comigo mesma, mas lá está... é ter o anjinho num ombro a dizer "já dás o teu melhor, mais não podes fazer" e o diabinho no outro a dizer "mentira... tu é que és incompetente... não serves para nada a não ser um mau exemplo". Nesses dias evito olhar-me ao...

Alvorada mental...

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São 5:30 quando começo a escrever este texto. Há uma hora que estou acordada... Ultimamente, o meu cérebro entende que a alvorada é às 4:30 da manhã, independentemente de eu ter adormecido às 22 ou à 1... 4:30 e aí está ele pronto para entrar no seu típico "overdrive". E não perde tempo! Ainda mal abri os olhos e já mil pensamentos apareceram! Memórias do que vivi e nem sempre as boas... banalidades (para o comum dos mortais) que me disseram mas que nunca mais me saíram da cabeça... tudo o que já devia de ter feito mas faltou sempre coragem... a noção de que o tempo não pára e que alguns sonhos estão cada vez mais perto do impossível... e a inevitável questão "que raio ando cá eu a fazer?!"... Penso nas pessoas que se afastaram de mim sem eu saber porquê... nas que confiei e considerei amigas e depois me traíram... e no medo imenso de perder as que ainda estão comigo... Uma hora... uma hora acordada e a minha cabeça já deu a volta ao Mundo e voltou! Uma hora... e eu...

Anarquia na mente...

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Sabem quando têm vontade de bater com a porta e gritar, bem alto, "F...! Estou farto/a desta m... toda!"? Pois bem... ontem foi um desses dias. Senti-me completamente submersa em anarquia e, claro, isso fez disparar a minha ansiedade. Só não cheguei ao ponto de sentir necessidade de chorar. Mas ter tanta coisa a acontecer à minha volta que não seguiu os padrões que a minha cabeça entende como normais e correctos, fez o click na minha "necessidade" de controlar tudo e, como seria de esperar, acordou a minha ansiedade. Senti-me a pessoa mais incompetente e incompreendida do planeta... como se nada do que eu dissesse ou pensasse tivesse um pingo de lógica ou inteligência. Fiquei sem energia... a bocejar a toda a hora... a querer respirar fundo mas que mais parecia ter falta de ar... com o estômago às voltas e sem vontade de comer mas com uma fome desgraçada... a querer gritar "chega" e depois fechar-me num quarto escuro... Chego à conclusão que a minha cabeça...

Os homens também sofrem...

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Podemos falar do mote mais estúpido que existe? Porque carga de água é que sempre se assumiu que os homens não choram? Não têm direito a terem sentimentos? Têm de ser de ferro porquê? E porque são apelidados de mariquinhas quando o fazem?  Os homens são tão humanos quanto as mulheres! Não têm de guardar tudo para eles ao ponto de alguns (demasiados!) optarem pelo suicídio por já não aguentarem mais a pressão da invencibilidade mental! Os homens também sofrem e, por serem "obrigados" a sofrer em silêncio, a sua dor chega a ser muito superior à das mulheres! E não tem de ser assim! Qual é a lógica?! Porque não se acaba com este estigma?! Ontem vi um vídeo de um lutador de UFC e as palavras deles ficaram-me marcadas... "prefiro ter um amigo a chorar no meu ombro hoje do que ir eu chorar ao funeral dele na próxima semana"... E é isto mesmo! Desculpem ser egoísta neste sentido, mas prefiro ter um amigo a chorar à minha frente, a deitar tudo cá para fora e a tirar um peso...

Nem todos vão perceber...

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Desculpem esta ausência... muita coisa na cabeça e sem conseguir deitar cá para fora... Quantas vezes responderam "estou só cansado/a" para não terem de explicar o que se passa na vossa cabeça? Muitas vezes... eu sei... Seja porque achamos que não vão perceber ou porque não vão valorizar o nosso estado, acabamos por dar a resposta "chapa 3", com a esperança que as perguntas terminem por ali. Mas quem se preocupa realmente connosco sabe... não precisamos de dizer nada nem de dar desculpas esfarrapadas... eles sabem... eles percebem quando não estamos bem. Podem não insistir, mas fazem por nos dar a entender que, se precisarmos, eles estão ali. E isso, muitas vezes, faz toda a diferença. Porque sabemos que alguém se importa connosco mas que também sabe respeitar o nosso espaço e o nosso tempo... que por vezes é mesmo só o que precisamos... ficar um tempinho no nosso canto para pormos as ideias no sitio. A vossa "overthinker". Tânia  

Não alimentem a ansiedade...

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"- Depois preciso de falar contigo..." "- Sobre...?" "- Não é nada de importante ou grave... depois falamos..." Epa... não! Isto é do pior que se pode dizer a uma pessoa ansiosa e cuja cabeça não pára. É logo accionado o chip dos "filmes"... e ficamos logo a pensar nas 200 mil hipóteses do que possa ser! Começam os calafrios... as taquicardias aparecem... e relaxar é para esquecer. Não há cá "então se não é nada de importante, siga... ok..."! Não há cá nada disso... muito pelo contrário... a cabeça vai do "tranquilo" ao "caso de vida ou morte" em meio segundo! É como o "deixa... isto passa... não te preocupes..."! Ora é obvio que uma pessoa se vai preocupar e pensar logo no pior cenário! Ou falam ou nem começam a conversa! Pessoalmente prefiro a primeira opção... posso não ajudar muito mas sei que, às vezes, falar ajuda e alivia bastante. Podemos não ter grandes conselhos para dar, mas sabemos por experiênc...

Agulhas mas das boas...

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Não gosto de tomar medicação e só tomo se não tiver mesmo mais nenhuma alternativa. Devido a várias crises de lombalgias, decidi experimentar a acupunctura... e foi a melhor coisa que fiz. Passei de tomar medicação com uma pontinha de morfina para medicação nenhuma!  Numa sessão aqui há tempos, comentei que tinha começado a ir a consultas de psicologia para tratar as crises de ansiedade antes que elas "tratassem" de mim e tivesse de recorrer a medicação. Qual não é o meu espanto quando o médico, técnico, como lhe queiram chamar me diz "uma vez que vamos dar descanso às costas e começar com o tratamento da sinusite, podemos ajudar também na ansiedade... é só pôr mais uma ou duas agulhas"... e foi música para os meus ouvidos! Até pode haver quem diga que aquilo é efeito placebo, mas o que é certo é que consigo relaxar mais e "desligar" melhor o cérebro com as agulhas espetadas do que em meia hora ou uma hora a olhar para um ponteiro (método "suis generi...

Chorar lava a alma...

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E aqueles dias em que já não acordamos bem? Em que só nos apetece é ficar fechados no escuro do quarto, deitados e a chorar? Sem sabermos porquê... mas até parece que, se chorarmos, ficamos bem. Não temos nenhuma preocupação no momento... nenhuma dor... nada que se justifique... mas encetamos uma luta durante todo o dia para não deixar cair uma lágrima que seja.  Pensamos no que andamos a fazer neste Mundo e até se fazemos assim tanta falta. E sentimos que somos incompetentes em tudo... vida pessoal, trabalho, vida social... uns completos zeros em tudo! Não podendo hibernar, optamos por ficar calados e seguir as nossas rotinas... mas há sempre aquela alminha que nos diz "não estejas assim... nem tens motivos para isso... vá, anima-te..."! Sim, alminha de Deus... porque uma pessoa até tem um botão On-Off para desligar o cérebro! Enfim... E para não ouvirmos destas ou piores, aguentamos... aguentamos até conseguirmos estar sozinhos e livres para deitar tudo cá para fora sem nos...

Quando perder mete medo...

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Tenho muito medo de perder... não só bens materiais como, principalmente, aqueles que me são mais chegados. Os bens materiais, eu sei... é estúpido... mas custa-me quando acontece algo que ponha a hipótese de perder na mesa. Por exemplo, há pouco tempo estalei o ecrã do telemóvel e senti a alma a estilhaçar quando aconteceu... algum tempo depois bateram-me no carro (só chapa, sem feridos) e acabei a ter um ataque de pânico ou ansiedade, nem sei bem... é uma parvoíce reagir assim, mas é mais forte do que eu. Mas quando essa hipótese de perda é relativa a quem pertence ao meu minúsculo círculo de família e amigos... meu deus! É como se um pouquinho de mim se definhasse! A cabeça entra em espiral e, se antes já andava sempre a 1000, nessas alturas anda a 5000! O coração não consegue acalmar enquanto não sei que está tudo bem... a concentração é abaixo de zero... e tenho arrepios pela espinha acima uns atrás dos outros. Não gosto de estar sempre a ligar-lhes, nem marcar encontros ou a chat...

Normalidade anormal...

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Sempre fui uma pessoa organizada. Um tanto ou quanto desarrumada... mas organizada. Ninguém percebia o caos do meu quarto, mas eu sabia exactamente onde tinha o quê. Hoje em dia continuo quase igual... com a diferença que a organização é maior e mais meticulosa. É aquilo a que muita gente chama os meus TOC's... Loiça na máquina de uma determinada maneira... se lavada à mão tem de ser por uma determinada ordem; roupa estendida com molas da mesma nação, podendo ser diferentes na cor e de peça para peça; armário organizados por tamanho, seja pratos, tachos ou outra coisa qualquer; à mesa, a proteína tem de ficar às 6hs e o resto às 12hs (imaginem um relógio); não consigo tomar o pequeno-almoço sem beber antes agua em jejum; gosto de fazer as coisas perfeitinhas e fico danada e frustrada quando não o consigo, mesmo que a culpa não seja minha; detesto quando não consigo cumprir com o horário estipulado para um compromisso ou encontro, ao ponto de já ter chegado meia hora antes para gara...

Começando pelo início...

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O meu nome é Tânia, tenho 40 anos e há pouco tempo tive a confirmação de que tinha arranjado uma "amiga" nova... a Ansiedade. Há quem diga que também tenho alguns TOC's... e eu começo a achar que têm razão. Este blog vai servir como um diário, onde vou tentar falar do que vou sentindo, do que já senti, das peças que já encaixei (com ajuda profissional) e das que ainda não consigo encaixar em lado nenhum.  Vou tentar mostrar a evolução que for conseguindo ter, mas também os retrocessos que tenho consciência que também vou ter. Vão perceber que, por vezes, os textos terão mil assuntos e meio baralhados entre eles... é "apenas" a maneira da minha cabeça/mente funcionar. O tal cliché de sentirmos que temos um browser na cabeça com 100 separadores abertos e que nem sabemos qual deles tem a música a tocar é real.... muito, muito real. Não garanto registos diários... mas garanto que, sempre que precisar desabafar, será aqui que o vou fazer. Porquê aqui? Porque não guar...