Normalidade anormal...

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Sempre fui uma pessoa organizada. Um tanto ou quanto desarrumada... mas organizada. Ninguém percebia o caos do meu quarto, mas eu sabia exactamente onde tinha o quê. Hoje em dia continuo quase igual... com a diferença que a organização é maior e mais meticulosa.


É aquilo a que muita gente chama os meus TOC's...


Loiça na máquina de uma determinada maneira... se lavada à mão tem de ser por uma determinada ordem; roupa estendida com molas da mesma nação, podendo ser diferentes na cor e de peça para peça; armário organizados por tamanho, seja pratos, tachos ou outra coisa qualquer; à mesa, a proteína tem de ficar às 6hs e o resto às 12hs (imaginem um relógio); não consigo tomar o pequeno-almoço sem beber antes agua em jejum; gosto de fazer as coisas perfeitinhas e fico danada e frustrada quando não o consigo, mesmo que a culpa não seja minha; detesto quando não consigo cumprir com o horário estipulado para um compromisso ou encontro, ao ponto de já ter chegado meia hora antes para garantir que não falhava; seja no telemóvel ou no computador do trabalho, tenho tudo organizado por pastas e nem vou referir o ambiente de trabalho... entre tantas outras coisas que não me lembro agora.


Esta sempre foi a realidade que a minha cabeça entendeu como sendo normal. Sim, sempre houve quem gozasse comigo por certas... vá, manias. Mas, para mim, era assim que a vida era suposto ser... com rotinas, regras, organização. Na minha ideia, sair daquela linha ou criar um pouco de caos só para animar um pouco era correr o risco de perder o controlo! E depois? E se não o conseguisse recuperar? Não... isso seria impensável! 


Para mim, eram os outros que não eram normais! Como conseguiam viver no meio da anarquia? Como conseguiam viver em modo "carpe diem"!? Será que não pensavam no amanhã?


Hoje percebo que era (e é!) o que me tranquilizava... sentir que tinha e tenho tudo sob controlo. Só que bem sabemos que não controlamos tudo! Mas... e então? Pois... então que, perceber que não consigo controlar tudo, fez-me aumentar o que me parece que sempre tive e não sabia... a ansiedade.


E eis que começa a maior batalha da minha vida... mentalizar-me, aos 40 anos, de que não posso controlar tudo, mas que tenho de aprender a controlar a ansiedade.


E que luta que vai ser...!


A vossa "overthinker".


Tânia

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